12 de outubro de 2011

O GÊNERO TEXTUAL CARTA DO LEITOR: O QUE É?




Segundo Marcuschi (2001), um gênero varia de acordo com o contexto discursivo. A estrutura de uma carta, por exemplo, em geral, é sempre a mesma. Qual seja? De acordo com o autor: a) local, data; b) saudação; c) texto; d) despedida; e)assinatura. Contudo, como afirma Silva (1997 apud BEZERRA, 2003, p. 210),

[…] embora sendo cartas, não são da mesma natureza, pois circulam
em campos de atividades diversos, com funções comunicativas
variadas [...] assim, [estes] tipos de cartas podem ser considerados
como subgêneros do maior “carta”, pois todos têm em comum – sua
estrutura básica: a seção de contato, o núcleo da carta, e a seção de
despedida – mas são diversificados em suas formas de realização,
suas intenções.

Têm-se os tipos de carta de acordo com o contexto sócio-discursivo. “É assim que temos carta pedido, carta resposta, carta pessoal, carta programa, carta circular, carta ao leitor e tantas outras” (BEZERRA, 2003, p. 201).

A carta do leitor segue a mesma estrutura de uma carta pessoal, por exemplo, porém, o estilo e a linguagem são diferentes porque o contexto discursivo é diferente.

A diversidade tipológica em uma carta pessoal certamente predominará a descrição, a narração, a exposição, a injunção, como bem mostrou Marcuschi (2003), ao analisar uma carta pessoal. Nesta, a linguagem beira o coloquialismo, a informalidade, por isso está mais próxima de um gênero primário, como uma conversa.

A carta do leitor, definida como um texto em que o leitor de jornal ou de revista manifesta seu ponto de vista sobre um determinado assunto da atualidade, usando elementos argumentativos, ao contrário, requer uma maior elaboração e ordenamento das ideias, pois se trata de um gênero secundário mais complexo, cuja linguagem tem que ser formal, na variedade padrão. Daí o papel da escola em torná-la um gênero escolar (entre outros) a ser ensinado para que o aluno desenvolva-se como leitor crítico por meio da análise do gênero e da sua reprodução. Nesse sentido é que Cardoso e Silva (2006, p. 19) afirmam:
"[...] através da produção e leitura de cartas do leitor o aluno aprende a diferenciar marcas de valores e intenções de agentes produtores, em função de seus compromissos e interesses políticos, econômicos e ideológicos."

Como já foi dito, toda carta apresenta uma estrutura básica: local, data, saudação ou vocativo, texto, despedida e assinatura, contudo, quando a carta entra na seção Carta do Leitor da revista ou jornal, ela pode passar por um processo de triagem, paráfrase, resumo ou ter informações eliminadas, dependendo do direcionamento argumentativo (BEZERRA, 2003). Ou seja, as cartas que são editadas, na verdade, não são como realmente foram escritas pelos seus autores e, em decorrência do pouco espaço que a revista reserva para isso, a estrutura é modificada. Todos aqueles
elementos que fazem parte da estrutura básica, não aparecem.

No entanto, quando o leitor/remetente se trata de alguma autoridade pública ou que ocupe alguma posição de destaque na sociedade, o conteúdo da carta é transcrito na íntegra, inclusive citando o cargo ou a função e a entidade ou órgão a que está ligado.

Os exemplos de cartas do leitor retirados da revista Veja, da citada edição, nos dão uma ideia da forma que essas cartas adquirem após sua editoração.

Texto A

Gostei muito da reportagem. Vivemos no cotidiano a luta do bem contra o mal – e claro que bem e mal podem ter significados inversospara cada personagem das nossas vidas.

Adriana Borges - Palmas, TO

Texto B

Fico muito feliz por saber que faço parte dos 130 milhões de brasileiros que não assistem a essa novela.

Guido Gomes – por e-mail

As cartas originais passaram por um processo de editoração, o que significa adaptação para a transposição ao contexto em que serão publicadas. Apenas uma parte do texto e da estrutura foi transcrita para a edição. Assim, em geral, são as cartas do leitor editadas pela revista: um pequeno fragmento do texto, o nome do remetente/leitor e a cidade/Estado.

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CARTA DO LEITOR – Revista “Ciência HOJE das Crianças” (CHC)


A carta é um gênero discursivo que ao longo da história tem servido de meio de comunicação para diferentes fins  – agradecimento, informações, cobrança, intimação, notícias familiares, prestação de contas, propaganda, solicitação, reclamação. A carta do leitor pode apresentar, também, outros teores como o estabelecimento de contato com outros leitores, via  divulgação de clubes, troca de correspondência entre leitores etc.

Nas últimas páginas da revista Ciência Hoje das Crianças (CHC), por exemplo, há a seção “Cartas”. Nela os leitores (especificamente as crianças) escrevem cartas elogiando e opinando acerca das matérias da revista, solicitando reportagens, divulgando seu interesse em manter contato / correspondência com outros leitores etc. Logo abaixo das cartas das crianças há sempre uma resposta escrita pelos editores da revista,


VEJA ALGUNS exemplos a seguir:



Carta 1

                                          
REVISTA NOTA 1.000
Querida CHC! É a primeira vez que escrevo para dizer que essa revista é nota 1.000! Tenho 13 anos e estou cursando a 7ª série. Gostei muito da matéria “A linguagem dos códigos”, publicada na CHC 154. Gostaria que vocês publicassem uma matéria falando sobre correios e como organizar um diário. Seria muito divertido pesquisar os diários das adolescentes brasileiras. Quero pedir para toda a galera do Brasil que escreva para mim. Com carinho...
Danielli Araújo Monteiro. Rua Principal 170, Tutóia Velha, 65580-000, Tutóia/MA
Muito bem, Danielli, vamos anotar suas idéias. Quem sabe para as próximas edições? Abraços!

                                                                                                                CHC, 170 – julho de 2006, p.29.




Carta 2


LEITORA ANSIOSA
Querida CHC, eu me chamo Ana Carolina e é um prazer escrever esta pequena carta. Fico ansiosa esperando a revista chegar para ler e ver se a minha carta foi publicada. Quando fico sem nada para fazer, vou ler bem rapidinho, pois me distraio bastante. O artigo que mais gostei foi “Cheirinho bom no ar”, publicado na CHC 153. Um abraço para todos da turma e parabéns pela linda revista. Tchau!
Ana Carolina Dias Batista. Contagem/MG.
Veja a sua carta publicada, Ana Carolina! A turma toda está retribuindo o abraço.


Carta 3


PALEONTÓLOGO
Eu me apresento como um dos mais novos leitores. Minha amiga me deu uma assinatura de presente de Natal. O meu sonho é ser paleontólogo, já li várias matérias de vocês sobre o assunto. Se possível, gostaria que publicassem mais textos sobre dinossauros e também sobre os museus que existem no Brasil. Mando um abraço para o Rex, a Diná, o Zíper e para todo o pessoal da CHC.
Davi Felipe de Oliveira. São Paulo/SP
A CHC 128 traz uma matéria sobre a profissão de paleontólogo, Davi. Estude bastante. Quem sabe um dia você não escreve um artigo sobre paleontologia para a CHC! Abraços do Rex e de toda a turma!

                                                                                                CHC, 162 – outubro de 2005, p.29.2064

Carta 4


POR QUÊ?
Nós, alunos do terceiro ano da E.M. Prof. Amilton Suga Gallego, viemos por meio desta fazer uma pergunta à revista Ciência Hoje das Crianças. A CHC é ótima, traz bastante temas interessantes, ensina a proteger a natureza e os animais, então... Por que a revista desperdiça plástico – que leva um tempão para se decompor – embalando revista por revista, se a maioria das pessoas joga os saquinhos no lixo?
Bianca de Souza Mamed e mais 81 assinaturas.
Que bom saber que você e seus amigos, Bianca, usaram os conhecimentos que têm a respeito do meio ambiente para fazer uma crítica construtiva e, assim tentar evitar qualquer desperdício que possa prejudicar a natureza. A CHC agradece pelo alerta e informa que o uso de plástico para embalar cada edição da revista está sendo reavaliado.

                                                                                                        CHC, 174 – novembro de 2006, p.29.

ATIVIDADE – 1

 Analise uma carta por vez e responda as questões:

1. A carta do leitor está cumprindo o principal objetivo: apresentar a opinião do leitor sobre a revista ou sobre fatos, acontecimentos ou assuntos, veiculados nelas?
2. A carta possui:
a). Referências às matérias comentada? ........................
b). Posicionamento/ou opinião do leitor em relação ao fato ou à matéria comentada..........................
c). Dados de identificação do leitor como, cidade e a sigla do Estado em que foi escrita, e nome completo de quem escreveu? .................................
3. As informações da carta aparecem de maneira direta, sem rodeios?...................
4. A crítica ou a opinião apresentada aos autores da revista é respeitosa e contribui com a revista?...........
5. O texto está escrito em primeira pessoa?.......................................
6. O texto está escrito de forma que possa circular nessa revista (considerando o seu público leitor) ortograficamente correto?.......................................




A carta do leitor


A carta do leitor é uma maneira de fazer parte da opinião pública!
Você já observou que nos jornais e revistas há um espaço reservado para que a opinião dos leitores seja publicada?

Estamos falando das cartas dos leitores, as quais mostram opiniões e sugestões; debatem os argumentos levantados nos artigos e fazem críticas a respeito; trazem perguntas, reflexões, elogios, incentivos, etc.

Para o leitor é o meio de expor seu ponto de vista em relação ao assunto lido, para o veículo de informação é uma arma publicitária para saber o que está agradando a opinião pública.

Não há regras estabelecidas para se fazer uma carta no estilo “carta do leitor”, a não ser as que já são preconizadas, ou seja, recomendadas ao escrevermos a alguém: especifique o assunto e seja breve; trace previamente o objetivo da carta (opinar, sugerir, debater); escreva em uma linguagem clara, precisa e nunca faça uso de palavras de baixo calão, pois sua carta não será publicada!

O objetivo do leitor ao escrever uma carta para um jornal da cidade ou uma revista de circulação nacional é tornar pública sua ideia e se sentir parte da informação. A carta do leitor é tão importante que pode ser fonte para uma nova notícia, uma vez que ao expor suas considerações a respeito de um assunto, o destinatário pode acrescentar outros fatos igualmente interessantes que estejam acontecendo e possam ser abordados!

Deve-se ter muito cuidado ao redigir uma carta, pois será lida por muitas pessoas. Por isso, revise o texto e observe com atenção se há clareza nas frases, se os períodos não estão muito longos e se não há repetições de ideias ou palavras, se há erros de pontuação e grafia.

Importante: Não se preocupe apenas em dizer o que pensa, o que acha, mas dê seu ponto de vista sempre explicando com muito cautela, e se expuser fatos, tenha certeza que são verdadeiros.

Por Sabrina Vilarinho
Graduada em Letras
Equipe Brasil Escola
Colaboração: Professora Silvia Sidney

SARESP - 011

 
A CARTA DO LEITOR. MAS ONDE ENCONTRÁ-LA?

Exatamente naqueles textos relacionados ao ambiente jornalístico, ou seja, em jornais, impressos ou expostos na Internet e em revistas de um modo geral. Como o próprio nome já diz, trata-se de um texto (com as mesmas características de uma carta normal), no qual os leitores têm a oportunidade de fazer elogios sobre uma determinada matéria publicada, expressar suas opiniões ou dar alguma sugestão, e até mesmo criticar, sugerindo algum tipo de melhoria.

Quanto à sua estrutura, a carta do leitor contém os mesmo elementos da carta pessoal. Você ainda se lembra quais são?  


 
  • Primeiro vem o local e a data em que a carta foi redigida.
  • Em seguida, o vocativo – nesse caso, coloca-se o nome do jornal ou da revista, pois revela a quem ela é dirigida. 
  • Segue assim o corpo do texto, contendo todas as informações que se pretende dizer.
  • E por último vem a despedida , juntamente com a assinatura de quem a escreveu.

    Quando o assunto da carta é muito extenso, os organizadores do jornal procuram reduzi-la, até mesmo porque o espaço a ela destinado é muito reduzido, uma vez que são cartas de vários leitores, mas a ideia principal continua sendo a mesma.

    No que se refere à linguagem, podemos dizer que é bem variada, podendo ser um pouco mais descontraída ou mais formal, tudo dependerá do público para o qual é destinada.

    Agora, que tal conferir tudo isso que aprendemos na prática? Com certeza irá gostar da experiência.


    Por Vânia Duarte
    Graduada em Letras
    Equipe Escola Kids
 Colaboração: Professora Silvia Sidney











































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