14 de janeiro de 2017

A ESTRANHA PASSAGEIRA



 Stanislaw Ponte Preta


- O senhor sabe? É a primeira vez que eu viajo de avião. Estou com zero hora de voo - e riu nervosinha, coitada.

Depois pediu que eu me sentasse ao seu lado, pois me achava muito calmo e isto iria fazer-lhe bem. Lá se ia a oportunidade de ler o romance policial que eu comprara no aeroporto, para me distrair na viagem. Suspirei e fiz de educado respondendo que estava às suas ordens. 

Madama entrou no avião sobraçando um monte de embrulhos, que segurava desajeitadamente. Gorda como era, custou a se encaixar na poltrona e arrumar todos aqueles pacotes. Depois não sabia como amarrar o cinto e eu tive de realizar essa operação em sua farta cintura.

Afinal estava ali pronta para viajar. Os outros passageiros estavam já se divertindo às minhas custas, a zombar do meu embaraço antes as perguntas que aquela senhora me fazia aos berros, como se estivesse em sua casa, entre pessoas íntimas. A coisa foi ficando ridícula:

- Para que esse saquinho aí? – foi a pergunta que fez, num tom de voz que parecia que ela estava no Rio e eu em São Paulo.

- É para a senhora usar em caso de necessidade – respondi baixinho.

Tenho certeza de que ninguém ouviu minha resposta, mas todos adivinharam qual foi, porque ela arregalou os olhos e exclamou: 

- Uai ...as necessidades neste saquinho? No avião não tem banheiro? Alguns passageiros riram, outros – por fineza – fingiram ignorar o lamentável equívoco da incômoda passageira de primeira viagem. Mas ela era um azougue ( embora com tantas carnes parecesse mais um açougue) e não parava de badalar. Olhava para trás, olhava para cima, mexia na poltrona e quase levou um tombo, quando puxou a alavanca e empurrou o encosto com força, caindo para trás e esparramando embrulhos por todos os lados 

O comandante já esquentara os motores e a aeronave estava parada, esperando ordens para ganhar a pista de decolagem. Percebi que minha vizinha de banco apertava os olhos e lia qualquer coisa. Logo veio a pergunta: 

- Quem é essa tal de emergência que tem uma porta só pra ela?

Expliquei que emergência não era ninguém, a porta é que era de emergência, isto é, em caso de necessidade, saía-se por ela.

Madama sossegou e os outros passageiros já estavam conformados com o término do “show”. Mesmo os que mais se divertiam com ele resolveram abrir jornais, revistas ou se acomodarem para tirar uma pestana durante a viagem.

Foi quando madama deu o último vexame. Olhou pela janela (ela pedira para ficar do lado da janelinha para ver a paisagem) e gritou:

- Puxa vida !!!

Todos olharam para ela, inclusive eu. Madama apontou para a janela e disse:

- Olha lá embaixo. 

Eu olhei. E ela acrescentou: - Como nós estamos voando alto, moço.

Olha só ... o pessoal lá embaixo parece formiga.

Suspirei e lasquei:

- Minha senhora, aquilo são formigas mesmo. O avião ainda não levantou voo.

VOCABULÁRIO
1) Substitua os termos sublinhados por sinônimos, reescrevendo as frases e fazendo as alterações necessárias.
a) “Lá se ia a oportunidade de ler o romance policial.”
b) “Para me distrair na viagem.”
c) “Suspirei e fiz o bacana.”
d) “Tive que realizar essa operação em sua farta cintura.”
e)” .. a zombar do meu embaraço ...”
f) “Aquela senhora me fazia perguntas aos berros.”
g) “Fingiram ignorar o lamentável equívoco da incômoda passageira.”
h) “Caindo para trás e esparramando embrulhos para todos os lados.”
i) “...para tirarem uma pestana durante a viagem.”
j) “Madama sossegou e os outros passageiros já estavam conformados com o término do show.”

INTERPRETAÇÃO TEXTUAL

1. “ É a primeira vez que viajo de avião.” Esta afirmação iria se comprovar durante toda a crônica, tais os “vexames” dados pela senhora. Assinale a frase que não demonstre um deles:
a) “Para que esse saquinho aí?”
b) “No avião não tem banheiro?”
c) “Quem é essa tal de emergência que tem uma porta só pra ela?”
d) “Gorda como era, custou a se encaixar na poltrona...”
e) “...mexia na poltrona e quase levou um tombo, quando puxou a alavanca e empurrou o encosto com força, caindo para trás...”

2. Por que a senhora pediu que o moço se sentasse ao seu lado?

3. “Para que esse saquinho aí?” – Ao fazer essa pergunta, a passageira:
( ) fez em tom brando para que os outros passageiros não a ouvissem.
( ) fez em tom bem alto para chamar a atenção dos outros passageiros.
( ) fez em tom alto porque ela realmente não sabia sua utilidade.
( ) fez em tom alto para irritar o companheiro que estava ao seu lado

4. “ Suspirei e fiz de educado respondendo que estava às suas ordens”. Os suspiros demonstram nesta passagem:
a) conformação;
b) contrariedade;
c) arrependimento;
d) aborrecimento;
e) raiva.

5. No título da crônica, a passageira é chamada de “estranha”. Outras qualificações podem ser dadas a ela depois que lemos integralmente a crônica. Assinale a que não lhe corresponde:
a) inexperiente;
b) envergonhado;
c) incômoda;
d) embaraçante;
e) ridícula.

6. “Madama entrou no avião sobraçando um monte de embrulhos... “. Com o verbo “sobraçar” o autor- narrador quer dizer que a madama:
a) levava mais embrulhos do que era possível;
b) levava embrulhos de baixo do braço;
c) carregava um monte de embrulhos que eram abraçados por ela;
d) trazia um monte de embrulhos que eram abraçados por ela;
e) trazia a quantidade de embrulhos que era possível levar nas mãos.

7. “...minha vizinha apertava os olhos e lia qualquer coisa. ”. Com a expressão “apertar os olhos” o narrador quer dizer-nos que a senhora:
a) não enxergava direito;
b) não sabia ler;
c) estava com sono;
d) que a porta de emergência estava longe de onde estavam sentados;
e) que sentia dores nos olhos.

8. Podemos afirmar que a passageira do avião era:
Marque a opção verdadeira.

1- uma elegante senhora 
2- uma senhora gorda e desajeitada.
3- uma dama acostumada a viajar de avião.
4- uma senhora muita acanhada.
5- uma mulher simples, mas curiosa 
6- uma mulher introvertida

( ) somente o item 1 e o item 4 são falsos.
( ) o item 2 e 5 são verdadeiros
( ) o item 2 e 6 são verdadeiros
( ) somente o item 5 é o verdadeiro
( ) o itens 2 ,3, e 4 são falsos
( ) nenhumas das opções estão corretas.

9. De acordo com o texto podemos afirmar que:
( ) todos os passageiros riram da passageira quando esta perguntou sobre a serventia do saquinho.
( ) a passageira falava tão baixo que nem seu amigo da poltrona a escutava direito.
( ) a passageira era muito ingênua, pois não colocava maldades nas perguntas que ela fazia.
( ) a passageira não sabia mesmo a serventia dos saquinhos e nem o que era emergência.
( )a passageira estava se fazendo de ingênua para sacanear os demais passageiros.
( ) o companheiro de banco da passageira era uma senhora muito elegante.

10. Por que o título do texto é “A estranha passageira”?

11. O narrador do texto é um narrador-observador ou narrador-personagem? Comprove com um trecho do texto.

12. Quem são os personagens do texto?

13. Qual é o enredo do texto?



ATIVIDADES GRAMATICAIS
1) Passe para o feminino plural, as frases abaixo:
a) O senhor sabe?
b) O outro passageiro já estava se divertindo às minhas custas.

2)  O substantivo “comandante” quanto ao gênero, é epiceno, sobrecomum ou comum-de-dois? Por quê?

3) O substantivo “passageira” deriva de qual palavra?

4) Classifique os substantivos abaixo, conforme o exemplo:
a) Avião: comum, simples, primitivo, concreto.
b) Hora:
c) Aeroporto:
d) Embrulhos:
e) São Paulo:
f) Banheiro:
g) Passageira:
h) Comandante:
i) Emergência:
j) Certeza:

5) Retire do texto, um substantivo epiceno.

6) Classifique os adjuntos adverbiais presentes nas frases abaixo:
a) “ É a primeira vez que eu viajo de avião.”
b) "Depois pediu que eu me sentasse ao seu lado, pois me achava muito calmo e isto iria fazer-lhe bem.”
c) “Lá se ia a oportunidade de ler o romance policial que eu comprara no aeroporto, para me distrair na viagem.”
d) “Madama entrou no avião sobraçando um monte de embrulhos, que segurava desajeitadamente.”
e) “Afinal estava ali pronta pra viajar.”]

7) Assinale a alternativa correta em relação à classificação dos termos destacados nas frases abaixo:
a) “...esperando ordens para ganhar a pista de decolagem.”
( ) Adjunto Adverbial 
( ) Adjunto Adnominal 
( ) Complemento Nominal

b) “Mesmo os que mais se divertiam com ele resolveram abrir jornais, revistas ou se acomodarem para tirar uma pestana durante a viagem.”
( ) Adjunto Adverbial de Finalidade e Adjunto Adverbial de Tempo
( ) Adjunto Adnominal de Finalidade e Adjunto Adverbial de Tempo
( ) Adjunto Adverbial de Finalidade e Adjunto Adverbial de Lugar

8) Passe as frases para a Voz Passiva e, em seguida, identifique o Agente da Passiva.
a) A estranha passageira faz perguntas engraçadas.
b) Amarrei o cinto de segurança em sua farta cintura.
c) O comandante já esquentava os motores da aeronave.
d) Eu lerei o livro durante o voo.
e) A passageira esparramou embrulhos por todos os lados. 

9) Assinale a alternativa correta em relação à transformação da voz passiva para a voz ativa:
"Vários vexames foram dados pela estranha passageira durante o voo”
( ) A estranha passageira dá vários vexames durante o voo.
( ) A estranha passageira cometeu vários vexames durante o voo.
( ) A estranha passageira deu vários vexames durante o voo.








Projeto - LITERATURA FANTÁSTICA - CONTOS DE MISTÉRIO, TERROR E MEDO


SEQUÊNCIA DIDÁTICA

OBJETIVOS
Fazer com que os alunos se familiarizem com gênero;
Ampliar o repertório textual dos alunos.
ACERVO
Livros:
* TELLES, Lygia Fagundes. Mistérios: ficções. Rio de Janeiro: Rocco, 1998.
* POE, Edgar Allan. Histórias Extraordinárias. Trad. de Brenno Silveira e outros. São Paulo: Abril Cultural, 1981.

Filmes:
* Resident Evil I;
* Resident Evil II.

Videocliple:
* Thriller, Michael Jackson.

ANTES DA LEITURA

É importante que os alunos já tenham contato com o que é Literatura Fantástica. Antes de iniciar essa Sequência Didática, fornecer aos alunos, noções sobre o tema.
            Desenvolver uma roda de conversa na sala de aula com o intuito de verificar o que os alunos sabem sobre o tema (conhecimento prévio), bem como suas preferências e experiências – converse sobre filmes, videoclipes, músicas, quadros, que são assustadores. E aborde “o medo”, que às vezes as pessoas sentem destas histórias, pois alguns adolescentes as adoram e outros odeiam este gênero.
  Realizar uma dinâmica de grupo na qual os alunos devem escrever em um cartão o seu principal “medo”, sem que os colegas vejam. De forma aleatória, cada um deverá tentar adivinhar o medo do outro. O professor mediará a dinâmica e fará um quadro na lousa anotando os medos de cada um. Ao final, fará um levantamento dos três principais medos dos alunos.
DURANTE A LEITURA
A leitura do conto deve ser em voz alta e de maneira que crie o suspense que esse tipo de história pede.
            Um dos pontos de dificuldade na leitura é o vocabulário, por isso, é sempre bom pedir que os alunos anotem suas dúvidas no caderno para serem debatidas depois da leitura. Pedir aos alunos para que fiquem atentos aos seguintes pontos:

* Narrador / Foco Narrativo;
* Personagens – protagonista / antagonista;
* Tempo;
* Espaço;
* Enredo;
* Que palavras são desconhecidas? Elas dificultam o entendimento do conto?

DEPOIS DA LEITURA

Como algum aluno sempre falta, é interessante, até mesmo para recordação e fixação do conto, pedir para que um ou mais recontem, oralmente, o conto lido.
            Depois, em grupos, peça para que eles leiam novamente o conto e anotem sobre os três pontos observados durante a leitura. Em um segundo momento, cada grupo apresentará o que foi discutido para toda a turma. Ao professor cabe dialogar com a turma para que todos os pontos duvidosos sejam esclarecidos.

PRODUÇÕES A PARTIR DO TEXTO

Os textos a serem trabalhados (contos, filmes etc.) deverão explorar não só a escrita, mas também a oralidade. Assim, os alunos deverão (re) contá-los e (re) escrevê-los e, sobretudo, criar seus próprios textos.



Enviado por Ana Maria/Santos

Boa noite pessoal! Estou de volta!!!
Estive afastada por um tempo sem poder alimentar o blog, agora espero colocar tudo em dia e estar sempre por aqui!
Vamos compartilhar!!!!!



2 de setembro de 2015



LIVRO DE CONTOS DE MISTÉRIO DO PROGRAMA LER E ESCREVER 5º ano - ELABORADO PELA PROFESSORA PATRÍCIA BRISOLA  E ALUNOS 
 EMEIF "PROF. NELSON RODRIGUES" - SÃO MIGUEL ARCANJO/SP


PARABÉNS PROFESSORA E ALUNOS!!


































26 de agosto de 2015

Leia a carta com atenção para pontuá-la e reescrevê-la corretamente.


PIRINÓPOLIS  23 DE MARÇO DE 1997


  SR. PROPRIETÁRIO DO RESTAURANTE PARAÍSO DOS BIFES

  TEMOS A MELHOR CARNE DA REGIÃO
 COM ELA O SENHOR PODERÁ OFERECER  OS MAIS VARIADOS TIPOS DE CARNE   COMO FILÉ MIGNON CONTRA FILÉ MAMINHA  ALCATRA  PICANHA E CUPIM]
 GOSTARIA DE RECEBER SALSICHA LINGUIÇA E PAIO TAMBEM
 A QUALIDADE DE NOSSA CARNE É GARANTIDA FORNECEMOS PARA VÁRIOS ESTADOS DO BRASIL SÃO PAULO MINAS GERAIS PARANÁ E BAHIA
  ESPERAMOS CORRESPONDER ÀS VOSSAS EXPECTATIVAS

                         ATENCIOSAMENTE

                                                          GERENTE DO FRIGORÍFICO

            OBSERVAÇÃO  O  PAGAMENTO  SERÁ  FEITO  NO  ATO DA ENTREGA   ATRAVÉS  DE  CHEQUE  AO  PORTADOR