
9 de janeiro de 2018
7 de fevereiro de 2017
14 de janeiro de 2017
O Grande Mistério
Stanislaw Ponte Preta
(Sérgio Porto)
(Sérgio Porto)
H?dias j?que buscavam uma explicação para os odores esquisitos que vinham da sala de visitas. Primeiro houve um erro de interpretação: o quase imperceptível cheiro foi tomado como sendo de camarão. No dia em que as pessoas da casa notaram que a sala fedia, havia um souffl?de camarão para o jantar. Da?..
Mas comeu-se o camarão, que inclusive foi elogiado pelas visitas, jogaram as sobras na lata do lixo e — coisa estranha — no dia seguinte a sala cheirava pior.
Talvez alguém não gostasse de camarão e, por cerimônia, embora isso não se use, jogasse a sua porção debaixo da mesa. Ventilada a hipótese, os empregados espiaram e encontraram apenas um pedaço de pão e uma boneca de perna quebrada, que Giselinha esquecera ali. E como ambos os achados eram inodoros, o mistério persistiu.
Os patrões chamaram a arrumadeira às falas. Que era um absurdo, que não podia continuar, que isso, que aquilo. Tachada de desleixada, a arrumadeira caprichou na limpeza. Varreu tudo, espanou, esfregou e... nada. Vinte e quatro horas depois, a coisa continuava. Se modificação houvera, fora para um cheiro mais ativo.
?noite, quando o dono da casa chegou, passou uma espinafração geral e, vitima da leitura dos jornais, que folheara no lotação, chegou at?a citar a Constituição na defesa de seus interesses.
— Se eu pago empregadas para lavar, passar, limpar, cozinhar, arrumar e ama-secar, tenho o direito de exigir alguma coisa. Não pretendo que a sala de visitas seja um jasmineiro, mas feder também não. Ou sai o cheiro ou saem os empregados.
Reunida na cozinha, a criadagem confabulava. Os debates eram apaixonados, mas num ponto todos concordavam: ninguém tinha culpa. A sala estava um brinco; dava at?gosto ver. Mas ver, somente, porque o cheiro era de morte.
Então alguém propôs encerar. Quem sabe uma passada de cera no assoalho não iria melhorar a situação?
-- Isso mesmo — aprovou a maioria, satisfeita por ter encontrado uma fórmula capaz de combater o mal que ameaçava seu salário.
Pela manh? ainda ninguém se levantara, e j?a copeira e o chofer enceravam sofregamente, a quatro mãos. Quando os patrões desceram para o caf? o assoalho brilhava. O cheiro da cera predominava, mas o misterioso odor, que h?dias intrigava a todos, persistia, a uma respirada mais forte.
Apenas uma questão de tempo. Com o passar das horas, o cheiro da cera — como era normal — diminuía, enquanto o outro, o misterioso — estranhamente, aumentava. Pouco a pouco reinaria novamente, para desespero geral de empregados e empregadores.
A patroa, enfim, contrariando os seus hábitos, tomou uma atitude: desceu do alto do seu gr?finismo com as armas de que dispunha, e com tal espírito de sacrifício que resolveu gastar os seus perfumes. Quando ela anunciou que derramaria perfume francês no tapete, a arrumadeira comentou com a copeira:
— Madame apelou para a ignorância.
E salpicada que foi, a sala recendeu. A sorte estava lançada. Madame esbanjou suas essências com uma altivez digna de uma rainha a caminho do cadafalso. Seria o prestigio e a experiência de Carven, Patou, Fath, Schiaparelli, Balenciaga, Piguet e outros menores, contra a ignóbil catinga.
Na hora do jantar a alegria era geral. Nas restavam dúvidas de que o cheiro enjoativo daquele coquetel de perfumes era impróprio para uma sala de visitas, mas ninguém poderia deixar de concordar que aquele era preferível ao outro, finalmente vencido.
Mas eis que o patrão, a horas mortas, acordou com sede. Levantou-se cauteloso, para não acordar ninguém, e desceu as escadas, rumo ?geladeira. Ia ainda a meio caminho quando sentiu que o exército de perfumistas franceses fora derrotado. O barulho que fez daria para acordar um quarteirão,quanto mais os da casa, os pobres moradores daquela casa, despertados violentamente , e que não precisavam perguntar nada para perceberem o que se passava. Bastou respirar.
Hoje pela manh? finalmente, após buscas desesperadas, uma das empregadas localizou o cheiro. Estava dentro de uma jarra, uma bela jarra, orgulho da família, pois tratava-se de peça raríssima, da dinastia Ming.
Apertada pelo interrogatório paterno Giselinha confessou-se culpada e, na inocência dos seus 3 anos, prometeu não fazer mais.
Não fazer mais na jarra, ?lógico.
Stanislaw Ponte Preta (Sérgio Marcos Rangel Porto – 1923/1968) nos brinda com mais uma de suas histórias cheias de suspense e muito humor. Esta, retirada do livro "Rosamundo e os outros", publicado em 1963 (1a. edição) pela Editora Sabi? Ltda., d?uma excelente idéia do poder de criação do autor dos também consagrados "Tia Zulmira e eu"," Primo Altamirando e elas", "Garoto Linha Dura" e os diversos e impagáveis números do "Festival de Besteira que Assola o País".
Conheça e vida e a obra de Sérgio Porto (Stanislaw Ponte Preta)visitando "Biografias".

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SEQUÊNCIA DIDÁTICA – “CONTOS DE MISTÉRIO”
Gênero: Literário / Contos de Mistério
Tipo Textual: Narrativo
Período de desenvolvimento: 01 mês
Interdisciplinaridade: Português e Artes
Público alvo: alunos dos 4º ao 5º ano do Ensino Fundamental.
1) Justificativa
O gênero escolhido – contos de mistério – tem como principal
objetivo o de intensificar o contato dos alunos com esse tipo textual, ampliando
seu repertório de contos narrativos.
Conversar sobre histórias que despertam o medo e o suspense
possibilita aos alunos situações onde é possível verificar, dentro do gênero
textual, as principais características do texto, como descrições, cenários,
personagens, construindo gradativamente o clímax e desfecho surpreendentes.
Além disso, as questões apresentadas trabalham a compreensão
do texto, solicitando a localização de informações, inferências ou deduções,
assim como o uso adequado de recursos como a pontuação expressiva, onomatopéias
e palavras que dão sentido e emoção aos textos lidos e produzidos.
2) Objetivos
Específicos
a) Em relação aos conteúdos procedimentais:
·
Ler diferentes textos de forma autônoma;
·
Ouvir, ler e escrever contos de assombração;
·
Perceber que os cenários e os personagens são
sempre caracterizados para criar um clima de mistério;
·
Aprender a planejar textos orais em situações
comunicativas reais ou simuladas;
·
Participar das interações que envolvam os usos
da linguagem nas diversas situações do cotidiano escolar, escutando com atenção
e compreensão;
·
Grafar corretamente as palavras;
·
Reescrever textos, preocupando-se com
concordância verbal e nominal;
·
Pontuar textos analisando as várias
possibilidades de organização de um diálogo.
·
Levantar hipóteses sobre o tema ou assunto
desenvolvido nos textos informativos;
·
Encontrar informações nos textos, mapas, tabelas
e demais portadores textuais;
·
Participar da produção coletiva do conto
escolhido pela turma, utilizando diferentes estratégias de criação.
·
Utilizar corretamente a pontuação expressiva, a
partir da necessidade de transmitir emoções;
·
Participar da revisão do texto coletivo, usando
adequadamente os conhecimentos prévios e os construídos durante o
desenvolvimento do projeto.
Nas Oficinas de
Artes:
·
Ilustrar o texto, representando artisticamente
suas emoções e sentimentos em relação ao conto trabalhado.
·
Participar da produção de dramatização do texto
escolhido pela turma.
·
b) Em relação aos conteúdos atitudinais:
·
Valorizar a leitura como fonte de informação,
lendo para aprender;
·
Interessar-se pela escrita, como instrumento de
interação;
·
Desenvolver um comportamento leitor, valorizando
diferentes gêneros textuais;
·
Desenvolver atitudes de escuta de textos,
compreendendo seus possíveis significados e mensagens;
·
Valorizar a cultura popular, percebendo sua
influência em usos, costumes, superstições e tradições orais de determinado
povo.
·
Perceber as emoções, sensações e sentimentos
transmitidos pelos textos do gênero trabalhado.
·
Participar de maneira colaborativa no
desenvolvimento das atividades, mostrando interesse, respeito e disposição em
efetivar as atividades propostas.
2) Metodologia: Etapas previstas
·
Apresentar o tema para os alunos, ouvindo suas
sugestões, levantando seus conhecimentos prévios e idealizando a participação
na produção de um livro de contos.
·
Ler, permanentemente, contos variados, para
despertar o gosto pela leitura e ampliar seu repertório (leitura feita pela
professora).
·
Listar com os alunos os contos mais conhecidos e
apreciados pela turma.
·
Pesquisar novas e antigas histórias, explorando
os livros do acervo.
·
Desenvolver atividades de interpretação de
texto, localizando informações, sequências de fatos, etc.
·
Desenvolver atividades de análise e reflexão
sobre a língua, incluindo tarefas que explorem ortografia e gramática.
·
Produzir um texto narrativo, tendo como base o
conto escolhido pela turma, sendo o professor escriba e mediador dos desafios
que se apresentarem no decorrer da produção coletiva.
·
Revisar, coletivamente, o texto coletivo, junto
dos alunos, enfocando questões ortográficas e gramaticais.
·
Ilustrar o conto produzido pela turma,
trabalhando de maneira interdisciplinar nas Oficinas de Arte.
·
Produzir a dramatização do conto escolhido,
planejando as etapas necessárias para sua apresentação.
3) Recursos didáticos e materiais:
·
Atividades impressas,
·
Registros no Caderno do aluno;
·
Filmes;
·
Materiais da Oficina de Arte para produção das
ilustrações.
·
Contos e Livros paradidáticos de literatura
infanto-juvenil.
4) Avaliação:
Em relação à linguagem oral: Habilidades gerais do aluno
como falante:
·
Expõe suas idéias e conhecimentos?
·
Formula perguntas e respostas com clareza?
·
Explica e defende seus pontos-de-vista?
·
Expõe suas dúvidas?
·
Leva em conta a finalidade de sua fala e o seu
interlocutor?
·
Gosta de ler textos em voz alta para os outros?
Habilidades gerais do
aluno como ouvinte:
·
Sabe sua hora de falar e ouvir?
·
Tem concentração em quem fala?
·
Gosta de ouvir textos lidos ou contados por
outros?
Em relação às
competências leitoras: Habilidades gerais do aluno como leitor de textos
diversos
·
Usa estratégia de antecipação através do
portador/suporte de texto, do título, do autor, do gênero, da ilustração?
·
Usa estratégia de inferência, levando em conta o
contexto?
·
Socializa sua leitura por iniciativa própria?
·
Socializa sua leitura por solicitação de outros?
·
Percebe a intencionalidade do autor?
·
Lê em voz alta com fluência (depois de ter
compreendido o texto)? Socializa quais tipos de texto gosta de ler?
·
Expõe suas dúvidas?
·
Leva em conta a finalidade de sua fala e o seu
interlocutor?
·
Gosta de ler textos em voz alta para os outros?
Em relação à produção
de textos escritos:
·
Relaciona a produção com a situação: finalidades
do autor, gênero e interlocutor?
·
Faz da produção um processo de trabalho no qual
estão presentes várias etapas e suas versões do texto?
·
Atende à modalidade textual solicitada,
elaborando diversos tipos de textos de acordo com sua função social?
·
Desenvolve o tema proposto, mantendo a coerência
textual e usando recursos coesivos?
·
Segmenta o texto de acordo com sua
especificidade?
·
Tem domínio relativo da ortografia, da
acentuação e da pontuação? Fundamenta suas opiniões e respostas?

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