27 de novembro de 2009

TRISTEZA NO FUNDO DO MAR


TRISTEZA NO FUNDO DO MAR
Maria Hilda de J. Alão  

            O fundo mar estava triste porque desaparecera o pequeno Peixe-espada. A mãe, em desespero, percorria todo o oceano na tentativa de encontrar seu pequeno filho.
            Os outros peixes, solidários, também procuravam. O dia já estava pela metade e nada do peixinho aparecer. A mãe nadava preocupada pensando se ele estava em segurança, se tinha comido. Nadou quilômetros e mais quilômetros com a esperança de vê-lo. Nada. Mas não se deu por vencida. Sua intuição de mãe dizia para ela nadar na direção da terra. E lá foi ela.
            Depois de nadar por um bom tempo, avistou aquele que poderia ser seu filho.            Chegou perto. Sim, era ele. O coração da mãe acelerou de alegria. Não chamou o peixe. Ficou um pouco distante porque percebeu que ele conversava com alguma coisa. A sombra refletida na água era estranha. A mãe ficou pensando que coisa era aquela com a qual seu pequenino conversava. Parou para ouvir a conversa. Era a “coisa” que falava:
            - Pois é, peixinho, eu sou um menino que está perdido. Não sei como voltar para casa.
            - Eu também – disse o peixe – não sei onde fica minha casa. Minha mãe disse para eu não me afastar muito porque o mar é grandão assim – e fez um gesto com as barbatanas para mostrar o tamanho do mar.
            - A minha também disse para eu não sair do portão – falou o menino – mas eu desci a rua e me perdi. Agora eu estou aqui esperando que ela venha me buscar.
            - O que você faz aí em cima menino, na terra?
            - Eu brinco – respondeu.
            - Você brinca de quê?
            - Eu tenho bola, carrinho, bichos de pelúcia, jogos, muitos jogos, pipas e outros brinquedos.
            - Para que serve um carrinho? – perguntou o peixe.
            - Com o carrinho eu imagino que estou numa estrada comprida correndo, correndo muito. Faço curvas, subo morros e não me canso.
            - E a pipa e a bola? Pergunta o peixe.
            - A pipa é para colocar no ar com uma linha e a bola é para jogar futebol. A gente junta onze meninos de cada lado e todos chutam a bola para marcar gol. É muito bom.
            - E você como brinca? – perguntou o menino.
            - Ah, eu e meus irmãos nadamos muito. Pegamos peixinhos pequenos, moluscos, pedaços de algas e apostamos quem engole mais.
            - Credo! – exclamou o menino – Vocês brincam de engolir coisas? A minha mãe não me deixa pôr coisas na boca porque eu posso engasgar.
            - Claro – disse o peixe – é só o que sabemos fazer. É que você não viu o tubarão e a baleia. Eles engolem cada coisa grande!
            - Eles devem ficar com uma tremenda dor de barriga – disse o garoto.
            - Que pena que você não pode sair da água para brincar comigo – disse o menino.
            - Você também não pode brincar comigo no mar. Mas nós somos amigos, não somos?
- Somos. Somos amigos perdidos em seus ambientes – disse tristemente o peixinho.
            O sol já estava indo embora, quando a mamãe peixe-espada chamou o filhote.           Ele ficou feliz ao avistar a mãe. Antes de partir fez questão de apresentar o novo amiguinho:
            - Mãe, este é meu amigo que mora na terra. Foi por causa dele que eu não fui mais longe.
            - É seu desobediente. Podia dar de cara com um tubarão ou uma baleia e nunca mais voltaria para casa.
            Enquanto a mãe do peixe advertia o filho, chegava à ponte a mãe do menino, muito nervosa dizendo:
            - Menino desobediente, eu disse para você não sair do portão. Se tivesse ido mais longe eu não te encontraria tão cedo.
- É mamãe – disse o menino – graças ao peixinho perdido que ficou conversando comigo o tempo todo.
            - Não diga bobagens menino, peixes não falam.
            E se foi, feliz, levando o pequeno menino pela mão.
                                                                              


                                  Moral: A desobediência é a mãe da tragédia

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