13 de setembro de 2009

Textos

TRISTEZA NO FUNDO DO MAR
Maria Hilda de J. Alão

O fundo mar estava triste porque desaparecera o pequeno Peixe-espada. A mãe, em desespero, percorria todo o oceano na tentativa de encontrar seu pequeno filho.
Os outros peixes, solidários, também procuravam. O dia já estava pela metade e nada do peixinho aparecer. A mãe nadava preocupada pensando se ele estava em segurança, se tinha comido. Nadou quilômetros e mais quilômetros com a esperança de vê-lo. Nada. Mas não se deu por vencida. Sua intuição de mãe dizia para ela nadar na direção da terra. E lá foi ela.
Depois de nadar por um bom tempo, avistou aquele que poderia ser seu filho. Chegou perto. Sim, era ele. O coração da mãe acelerou de alegria. Não chamou o peixe. Ficou um pouco distante porque percebeu que ele conversava com alguma coisa. A sombra refletida na água era estranha. A mãe ficou pensando que coisa era aquela com a qual seu pequenino conversava. Parou para ouvir a conversa. Era a “coisa” que falava:
- Pois é, peixinho, eu sou um menino que está perdido. Não sei como voltar para casa.
- Eu também – disse o peixe – não sei onde fica minha casa. Minha mãe disse para eu não me afastar muito porque o mar é grandão assim – e fez um gesto com as barbatanas para mostrar o tamanho do mar.
- A minha também disse para eu não sair do portão – falou o menino – mas eu desci a rua e me perdi. Agora eu estou aqui esperando que ela venha me buscar.
- O que você faz aí em cima menino, na terra?
- Eu brinco – respondeu.
- Você brinca de quê?
- Eu tenho bola, carrinho, bichos de pelúcia, jogos, muitos jogos, pipas e outros brinquedos.
- Para que serve um carrinho? – perguntou o peixe.
- Com o carrinho eu imagino que estou numa estrada comprida correndo, correndo muito. Faço curvas, subo morros e não me canso.
- E a pipa e a bola? Pergunta o peixe.
- A pipa é para colocar no ar com uma linha e a bola é para jogar futebol. A gente junta onze meninos de cada lado e todos chutam a bola para marcar gol. É muito bom.
- E você como brinca? – perguntou o menino.
- Ah, eu e meus irmãos nadamos muito. Pegamos peixinhos pequenos, moluscos, pedaços de algas e apostamos quem engole mais.
- Credo! – exclamou o menino – Vocês brincam de engolir coisas? A minha mãe não me deixa pôr coisas na boca porque eu posso engasgar.
- Claro – disse o peixe – é só o que sabemos fazer. É que você não viu o tubarão e a baleia. Eles engolem cada coisa grande!
- Eles devem ficar com uma tremenda dor de barriga – disse o garoto.
- Que pena que você não pode sair da água para brincar comigo – disse o menino.
- Você também não pode brincar comigo no mar. Mas nós somos amigos, não somos?
- Somos. Somos amigos perdidos em seus ambientes – disse tristemente o peixinho.
O sol já estava indo embora, quando a mamãe peixe-espada chamou o filhote. Ele ficou feliz ao avistar a mãe. Antes de partir fez questão de apresentar o novo amiguinho:
- Mãe, este é meu amigo que mora na terra. Foi por causa dele que eu não fui mais longe.
- É seu desobediente. Podia dar de cara com um tubarão ou uma baleia e nunca mais voltaria para casa.
Enquanto a mãe do peixe advertia o filho, chegava à ponte a mãe do menino, muito nervosa dizendo:
- Menino desobediente, eu disse para você não sair do portão. Se tivesse ido mais longe eu não te encontraria tão cedo.
- É mamãe – disse o menino – graças ao peixinho perdido que ficou conversando comigo o tempo todo.
- Não diga bobagens menino, peixes não falam.
E se foi, feliz, levando o pequeno menino pela mão.



Moral: A desobediência é a mãe da tragédia.
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QUEM NÃO TEM MEDO?

Marlene B. Cerviglieri

Todos nós temos os nossos medos, principalmente quando pequenos. Muitas coisas não compreendemos e nos assustam alem de criarmos nossas fantasias.
João Vitor era um garotinho muito querido por todos na família, especialmente os avôs que eram chamados vovô João e vovô Vitor.
Os dois contavam estórias e faziam muitas brincadeiras com o netinho que ultimamente andava triste.
Resolveram os dois ficarem uma tarde com o neto para ver se poderiam ajudá-lo.
Assim sendo os dois brincaram a tarde toda com o garoto até que conseguiram conversar com ele.
__Meu querido diga para nós o que esta deixando você tão tristonho?
__Eu não estou triste, apenas não quero ir dormir em minha cama, e a mamãe não deixa mais eu ir dormir com ela.
__Deve haver alguma coisa que impede você de ir dormir na sua cama. Seu quarto é tão bonito e foi feito especialmente para você!
__Sei disso, vô João e vô Vitor , mas...tenho medo!
__Só isso! - disseram os dois.
__É tenho medo de ficar no meu quarto.
__Cada um de nós tem uma estória para te contar.
__Conta você primeiro João.
__Bem! - disse João. Você sabe que um dia eu também já fui criança como você?
__Claro né vô, e sei que um dia vou ficar idoso como você.
__Esperto este meu menino.
Bem vou te contar a estória de minha cama e de meu medo.
__Aprumaram-se os três para ouvi-lo.
__Eu tinha um quarto não muito grande, mas eu gostava dele. Porém comecei a ouvir uns ruídos estranhos, e não sabia o que era. Fiquei acordado prestando atenção e não conseguia saber o que era. O medo foi tomando conta de mim e me encolhi todo na cama me enrolei nos lençóis. No dia seguinte falei com minha mãe, e não quis ir dormir no meu quarto. Pedi e ela consentiu que eu dormisse no quarto dela. Foi muito bom dormi a noite toda sem medo e sem ouvir nada. Mas a noite seguinte, meu pai me levou para meu quarto e disse-me que tinha estado lá e não ouviu nada e não tinha nada. Fiquei apavorado mas fiquei no quarto e me enrolei nos lençóis e logo mais tarde comecei a ouvir os ruídos novamente. Chorei esperneei e naquela noite não fui para o quarto sozinho. Meu pai foi dormir comigo e levou um colchonete, e ficou junto de mim. No inicio dormimos. De repente comecei a ouvir o barulho. Desci da cama de mansinho e chamei papai que dormia.
__Papai, papai.
__Os dois juntos ficamos atentos, eu tremia de medo. Para minha surpresa papai foi até a janela abrindo-a chamou-me e rindo me mostrou os galhos de uma enorme trepadeira que o vento balançava e raspava na janela! Este era o barulho que criara o medo em mim... Fiquei tão contente quando papai me abraçando disse-me:
__Vou te contar a minha estória agora, de medo é claro.
__Como você também fui criança um dia e tive meus medos. Chorava a noite e não queria ir para minha cama. Claro é melhor ficar com o papai e mamãe. Mas cada um tem sua cama seus lençóis seu lugarzinho para suas fantasias. Um dia você vai entender isto. Bem, minha mãe me levou para a cama e me disse:
__Filho, hoje cedo eu sacudi os teus lençóis e pedi para todos os espíritos brincalhões ou os que gostam de assustar irem embora.Faço isto toda manhã quando arrumo teu quarto.Você mesmo pode fazer isto quando eles te incomodarem.Arrume a cama novamente e estique bem os lençóis, você vai dormir na hora. Vamos fazer já para você ver como é. E assim sendo minha mãe desarrumou a cama novamente e disse.Saiam todos daqui deixem meu menino dormir em paz, arrumando minha cama todinha.
__Dormi profundamente aquela noite e todas as outras, sempre que preciso sigo o que minha mãe me ensinou.
__Portanto meu caro netinho faça o mesmo, arrume a cama novamente do seu jeitinho e espante todos os fantasminhas.
__Que bom vô é uma idéia. Vou fazer isto.
__João e Vitor se entreolharam e mais tarde comentaram-Se todos conseguissem espantar os fantasminhas de suas camas que bom seria.Mas desde cedo é que se ensina a enfrentá-los não é mesmo?
__O medo criado e o fantasma imaginado.
__Quanto ainda a aprender ...
... E assim João Vitor conseguiu dormir sem medo lembrando e pondo em pratica a lição do vovô João.
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O PAPAI NOEL
Marlene B. Cerviglieri

Era época de Natal e as ruas estavam movimentadas, as lojas com suas vitrines todas enfeitadas, esperando o Natal. As crianças passavam pelas lojas e ficavam admiradas de ver tantos brinquedos, tantas coisas lindas. Todos se encantavam até os adultos.É porque adulto também ganha presente do Papai Noel. Naquele dia Julio estava um pouco cansado, pois tinha estudado bastante era fim de ano, precisava terminar com boas notas.
Nesta época além de estudar ele fazia um curso de marcenaria. Julio tinha uma habilidade fora do comum, sabia montar cadeiras, armários e muitas coisas mais. Sendo assim seu pai achou que seria interessante que ele fosse aprender com um marceneiro da cidade. Naquele dia apesar de estar cansado foi para a marcenaria e lá chegando viu o Sr. Jose o marceneiro aprontando um monte de cadeirinhas.
Perguntou então: - Porque está fazendo tantas cadeirinhas?
E o Sr. Jose respondeu:
- Faz parte da mobília que estou montando. Já fiz as camas, as cômodas e agora faltam as cadeirinhas.
- O senhor vende para as lojas?
- Não, eu não vendo. Eu dou para o Papai Noel, e ele entrega para as crianças de presente!
- Nossa! Sua idéia é muito legal. Será que também posso fazer alguma coisa?
- Claro! A gente sempre pode ajudar.
- Então eu poderia fazer algumas mesinhas. Posso até desenhá-las.
- Vou arrumar madeira para você meu garoto, e pode já começar o trabalho.
Julio trabalhou bastante e o Sr. José também. Envernizaram e pintaram toda a mobília. Ficou uma gracinha mesmo. Trabalharam até tarde para entregar tudo ao Papai Noel.
- Sr. José, o Papai Noel virá até aqui buscar?
- Não meu caro Julio. Eu mesmo vou levar até ele.
Que pena, pois gostaria de conhecê-lo.
- Então ele não virá aqui?
- Não. Como já disse levarei até ele.
Julio esqueceu do assunto e foi para casa. Depois de ter trabalhado muito e ter feito um monte de mesinhas, cadeirinhas, caminhas, finalmente chegaram ao fim. A próxima semana já seria Natal. Na escola a professora pediu para que todos escrevessem uma cartinha para o Papai Noel. Julio pensou, pensou...
- O que vou escrever para o Papai Noel?
Ai de repente veio à idéia:

“Caro Papai Noel”
Sou um menino ainda, mas gosto muito de trabalhar com madeira.
Hoje terminei todas as mesinhas, que o Sr. José o marceneiro que me ensina, irá levar para o senhor. Gostaria de lhe pedir o favor de distribuir todas as mobílias para as menininhas, principalmente aquelas que não tem muitos brinquedos. Porque, aquelas que têm muita coisa, não vão se importar com simples mobílias feitas de madeirinhas.
Papai Noel, para mim não precisa trazer nada, já tenho tantos brinquedos. Eu ficando com a minha bicicleta para ir até a escola e a marcenaria, já está muito bom. Portanto vou colocar todos os meus brinquedos dentro de um saco. Como não sei onde encontrá-lo, vou entregar ao Sr. José para que ele leve até o senhor.
Por favor, distribua para todos aqueles que lhe pediram um brinquedinho, pois assim ninguém ficará sem receber nada.
Assinado Julio

Entregou a carta para a professora. Esta colocou num envelope e despachou para o Papai Noel. Este recebeu todas as cartas e também o saco de brinquedos do Julio. No dia de Natal quando ele levantou e foi abraçar os pais, teve uma grande surpresa! Encontrou na sala, uma maleta com todas as ferramentas para poder trabalhar em suas madeiras.
- Mas eu não pedi nada para o Papai Noel!
Dentro da caixa havia um bilhete:

“Para um menino caridoso”. Um menino bondoso e merecedor.
Faça muitos brinquedos que entregarei sempre para todas as crianças.
Assinado: Papai Noel

Julio cresceu fazendo brinquedos e hoje, já adulto, tem uma grande fabrica de brinquedos, mas nunca esquece de enviar um saco cheio deles para o Papai Noel distribuir.
Como vocês vêem é dando que se recebe. Praticar o bem, mesmo para quem não se conhece.
Feliz natal amiguinhos! Feliz natal para todos!
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O Fantasma do Lustre
Marlene B. Cerviglieri


Estávamos todos reunidos na pequena biblioteca de nossa casa. Como era de costume, sempre após o jantar fazíamos nossos deveres de escola. Eu estava às voltas com meus teoremas, minha irmã com sua redação e meu irmão tentando recortar alguma figura para o cartaz de ciências. Ali, entretidos, ouvimos um estalo vindo do alto. Um olhou para o outro e não dissemos nada, apenas balançamos os ombros como que dizendo: que foi? Continuamos concentrados. De repente a luz piscou duas vezes, mas, imediatamente, voltou e ficou normal. Ficamos quietos novamente.
De repente ouvimos um forte assobio... Aí então não deu para ficar quieto, saímos correndo da sala. Fomos direto à sala de estar onde papai e mamãe estavam dando uma olhadinha no jornal.
- Que foi? - perguntaram os dois já de pé tal a pressa com que adentramos a sala.
- Tem um fantasma no lustre dissemos os três quase que gaguejando.
- O quê? - disse meu pai.
- É um fantasma no lustre!
Acompanhamos meu pai que levou consigo uma escada. Até ai então não entendíamos porque uma escada. Puxa, ele não tinha medo mesmo.
Subiu na escada, vimos que apertava alguma coisa e depois delicadamente pegou algo. Desceu.
- Prontos para ver o fantasma?
Grudamo-nos uns nos outros...
- Primeiro: a lâmpada estava meio solta. Apertei-a e agora não vai mais piscar. E aqui está o fantasma que assobiou para vocês.
Abriu a mão e lá estava um inseto pequenino.
- Papai, o que é isso?
- Uma cigarra meus filhos, e elas cantam, assoviam!
Ficamos de boca aberta olhando.
- Então não tem fantasma?
- Claro que não!
Voltamos à outra sala e lá meus pais riam do nosso susto.
- Puxa e eu que pensava que tinha um fantasma no lustre!
A janela bateu com o vento e, novamente, saímos correndo.
- Foi à janela - dissemos juntamente com as risadas de meus pais.
Sempre que entro numa biblioteca lembro deste fato, olho para os lustres e procuro o fantasma, ou seja, as cigarras.
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O CASAMENTO DA VASSOURA

Ali guardadinha estava a vassoura num cantinho do armário. Às vezes a tiravam e dançava muito pela casa ou quintal, ficando até tonta de tanto ir pra lá e pra cá. Mas depois ficava no cantinho até tristonha mesmo. Um dia, porém, ouviu uma vozinha que a chamava:
__ Dona Vassoura, oh dona vassoura está me ouvindo?
__ Sou eu, a dona Pazinha aqui do outro lado.
__ Sim, estou ouvindo - disse a Vassoura até meio assustada.
__ Tenho um recado para a senhora, do senhor Rodo.
__ De quem?
__ É do senhor Rodo.
__ Ele mandou lhe dizer que gostaria de casar com a senhora!
__ O que devo responder a ele?
__ Ora - disse a Vassoura, pega de surpresa - Eu casar com o senhor Rodo?
__ É sim. Pense e depois me dê a resposta, é só me chamar.
Dona Vassoura ficou inquieta, pensou, pensou...
__ Sozinha aqui pelo menos vou ter um companheiro, nada tenho a perder, até que ele é bem simpático, pois já o vi algumas vezes brincando na água.
Mais tarde a noitinha dona Vassoura chamou dona Pazinha e disse-lhe:
__ Bem diga a ele que aceito, mas como será o que vamos fazer?
__ Não se preocupe nós vamos arranjar tudo para o casamento.
E assim foi.
Fizeram primeiro, a lista dos padrinhos e convidados.
__ Ouça dona Vassoura, os padrinhos de seu casamento serão: o senhor Balde e eu. As daminhas serão as Flanelinhas que estão todas felizes pelo evento.
__ O senhor Papel Higiênico ficou de enfeitá-la e fará uma grinalda bem linda, ele prometeu.
__ O ambiente será todo perfumado, pois, os Senhores Desinfetantes se incumbirão de fazê-lo. - No mais, todos os outros moradores deste armário vão contribuir. Os senhores Panos de Chão, os Tapetes, até o Sr. Desentupidor irá colaborar.
__ Pelo jeito já está tudo combinado, não é mesmo dona Pazinha?
__É sim. Vamos marcar para a próxima noite, certo?
__Sim, combinado.
A noite veio e o casamento foi realizado com muita simplicidade. Dona vassoura toda enfeitada. O noivo, Senhor Rodo, com a ajuda do Senhor Pano de Chão, estava muito bem enrolado, muito elegante. Os convidados estavam felizes e a festa foi até de madrugada.
No dia seguinte, quando foi aberto o armário, estava tudo diferente!
__ O que aconteceu aqui? Pensou a dona da casa...
A vassoura toda enfeitada de papel higiênico, o rodo fora do lugar...
Fechou a porta do armário e esqueceu o assunto, mas que era estranho era...
Lá dentro os convidados começavam acordar da festa de ontem, ou seja, do casamento da Vassoura...

Marlene B. Cerviglieri
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A CASA DA BARATINHA

Marlene B. Cerviglieri


Vivia a Baratinha numa casa muito pequenina, no canto de uma sala de uma casa muito grande. A casinha era muito lindinha. Não havia separação tudo estava no mesmo espaço.
Por exemplo, a caminha dela estava num cantinho, era uma tampa de vidro toda forradinha de folhinhas de papel, que às vezes ela mordiscava a noite toda e, pela manhã, não tinha mais papel na caminha.
Tinha uma mesinha que era feita de uma caixinha de fósforo e em cima dela havia um vasinho de danoninho.
O tapetinho do chão era um pedacinho de pano todo pintadinho. A cozinha era muito limpinha. Não tinha fogão, pois a mamãe da Baratinha tinha lhe ensinado que era perigoso ter fogo por perto e mexer em fogão, então, nem pensar. Explicou sobre um tal gás que sai e que ela morreria sem ar.
Sendo assim tinha um armário para guardar sua comida. Este armário foi feito com palitos de sorvetes e tinha boas prateleiras. O banheiro era todo forrado de jornal.
A Baratinha era muito vaidosa e estava querendo um guarda-roupa para colocar em seu quarto e guardar suas roupas. Sendo assim, todo dia saia em busca de alguma coisa para sua casinha. Um dia viu os brinquedos guardados no porão e pensou:
- Ah, é lá que vou achar meu guarda-roupa.
Andou por tudo e finalmente encontrou o que procurava. Ficou muito contente com seu achado, um armário que tinha sido de uma bonequinha. Voltou para casa, pois já estava ficando tarde, tinha ficado muito tempo fora.
Na manhã seguinte, resolveu ir buscar o tal armário. Saiu devargazinho de sua casa como sempre fazia, pois tinha medo de ser vista e pega.
Conseguiu chegar até o porão e foi até o seu achado. Resolveu que iria abri-lo, pois não o tinha visto muito bem no dia anterior. Assim o fez. Que surpresa! Estava cheio de roupinhas lindas.
Era mais do que esperava, ficou mais contente ainda. Resolveu que levaria uma a uma para sua casa e por último o armário. Ah, o armário! Como faria? Era pesado!
- Não vou pensar nisto agora. – disse.
E levou todas as roupinhas para sua casa. Depois de todo este trabalho faltava ainda o armário. Tentou de todas as maneiras, mas percebeu que sozinha não conseguiria levá-lo. Que fazer agora?
- Preciso de ajuda ou ficarei sem o armário.
Assim sendo ficou muitos dias sem saber o que fazer. Sentada em sua casinha, muito pensativa, viu quando a vizinha dela, dona Formiga, passou várias vezes carregando alguma coisa.
- É um trabalho cansativo – pensou.
Mas devagar e sempre ela vai levando tudo para sua toca. Levantou-se e foi até o porão. Olhou bem para o armário de todos os lados, e finalmente teve uma idéia.
Tirou as gavetas, uma por uma, e foi levando-as devagar. Voltou e deitou o armário que ficou mais leve sem as gavetas e sem as tabuas de dentro, todo dia arrastava um pouquinho mais.
Ficava tão cansada que às vezes dormia no chão mesmo. Finalmente conseguiu levá-lo todo. Montou e arrumou todas as suas roupinhas dentro dele. Suspirou feliz porque conseguiu fazer o que queria resolvendo tudo sem se aborrecer e por ela mesma.
- É assim mesmo - pensava já sentadinha em seu quarto -, quando você quer alguma coisa tem que lutar por ela, ter paciência e devagar vai conseguindo tudo.
A pressa e a falta de paciência impede você de pensar e achar um meio de resolver o que está a sua frente. Devagar e sempre se chega aonde se quer. Podemos receber ajuda, mas nem sempre as pessoas estão disponíveis, pois cada uma tem a sua casinha para cuidar.
- Que tal, vamos dar uma volta na casa da Baratinha para ver como ficou?
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